Capa e Editorial da Edição nº: 852

Um sonhador

Tiramos o chapéu para o engenheiro florestal Mario Torres, que completou quarenta anos de trabalho na Copel. Mas o mérito desse engenheiro inquieto não vem de ter ficado quatro décadas numa mesma empresa. Isso seria muito fácil para os acomodados de plantão.

Tiramos o chapéu para o idealizador e sonhador Mario Torres, pois há quarenta anos ele olhou para um pedaço de terra onde havia muita pedra e algumas plantas nativas, junto com algumas frondosas araucárias e vislumbrou o Jardim Botânico.

O sonhador tem mais uma qualidade a ser destacada, a determinação, acompanhada da alegria de fazer, de colocar a mão na massa, e foi de planta em planta, de enxadada em enxadada, tirando as pequenas e as imensas pedras do caminho, sejam elas da burocracia, da descrença dos outros, da falta de gente ou maquinário, ou mesmo da decepção que às vezes o abateu, que ele, junto com sua equipe, foi embelezando o Faxinal do Céu e realizando a construção do sonho de ter em Pinhão um Jardim Botânico.

Vamos falar sério, não é qualquer jardim botânico, porque caminhar por lá é de perder o fôlego ao ver tanta beleza junto. Mas a grandeza desse ser humano vai além de ser um sonhador, está na sua capacidade de compartilhar seu sonhos com muitos e de reconhecer que ele sonhou primeiro, mas que foi a contribuição de muitos que resolveram sonhar com ele que chegou aonde chegou.

E, antes que alguém diga, claro que o nosso sonhador tem defeitos, manias e até rabugices, mas elas se perdem na alegria de amar o que faz, conversar com o Mario é ter a certeza que trabalhar é algo divino. Sim, porque ele fala com paixão do trabalho que realiza. Ele nos faz crer que o que falta a muitos trabalhadores das mais diversas áreas, que aos 30 anos já estão cansados, deprimidos, só pensando em aposentadoria, é paixão pelo seu fazer.

Ele quer muito mais que ter um maravilhoso Jardim, ele quer trabalhar na educação e sensibilização das novas gerações e da atual também, em relação à natureza. Por isso, educadores, é mais que importante, é preciso levar as crianças e jovens ao Jardim Botânico para terem aula sobre o encanto da natureza, mas, muito mais para poderem beber da fonte viva o encantamento do sonho, para conviverem com um ser humano que ama o que faz, e faz com muito zelo e capricho.

Para eles aprenderem que, quando se sonha no caminho, se encontra muitas frustrações, contratempo, decepções, mas que é possível realizar, desde que se acredite e se persista e sempre com muita alegria. Para eles aprenderem que não é a idade que nos envelhece, mas a falta de perspectiva e sonhos. E a prova viva está lá, no Jardim Botânico, um engenheiro que, com 40 anos de profissão, acredita que tudo valeu muito a pena.

As pessoas vão encontrar sim um homem de 66 anos que no rosto já traz alguns sinais dos anos vividos, mas a alma continua a ter 26 e ele continua a olhar para a vastidão do horizonte e sonhar com o muito a realizar…

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