Capa e Editorial da Edição nº: 851

Todos usam…

Quando se quer fazer uma campanha, seja da área da saúde, assistência social ou qualquer outra, sabe qual é o primeiro lugar que as pessoas pensam em buscar apoio? Nas escolas. Quando uma pessoa vê alguém escrevendo uma palavra muito errada, sabe o que ela pensa? Nossa, em qual escola essa criatura estudou? Mas essa mesma pessoa não se pergunta: será que a escola está precisando de ajuda?

Quando os políticos vão elaborar seus planos de governo, qual o primeiro item que eles montam e colocam como prioridade em seus discursos? A educação. Quando a crianças começam a falar e andar os pais começam a pensar, em qual escola vou levar meu filho? E a escolha normalmente será feita pela proximidade de casa. Isso porque o compromisso é levar o filho até a porta da escola. Já na hora de acompanhar, participar, estar de mãos dadas com a escola na aprendizagem do filho, nem pensar.

A relação família-escola está muito aquém do que deveria ser e acredito que a situação anda mais complicada: antigamente as famílias sabiam que o seu papel era educar, ensinar bons, modos, respeito e todo o traquejo da boa convivência em sociedade. Pois bem, hoje as famílias querem que a escola ensine o conteúdo acadêmico e as normas sociais. Isso tudo sem receber nenhum apoio a mais para o novo trabalho que lhe querem impor! Na verdade, nessa terra de pau brasil, a educação é prioridade apenas nos discursos.

Na consulta pública que aconteceu sobre o plano municipal de educação, quem estava lá para discutir as questões do ensino do município? Somente os profissionais da educação. A representação de pais foi mínima e da sociedade organizada nenhuma. Nem o sindicato dos funcionários públicos (que deveria estar preocupado pelo menos com o eixo da formação dos profissionais da educação que trata do plano de cargo e carreira) estava lá… Este é só um exemplo de que a sociedade cobra, e muito, das escolas e professores, mas raramente se compromete com questão tão essencial ao desenvolvimento de um município.

Todo mundo sabe que a educação mexe com todos os setores de uma gestão municipal, pois educar é lidar com várias facetas e necessidades das pessoas. Por este motivo, a educação do município foi debatida, avaliada e revista. E os representantes de todo o corpo do governo apareceram? Não. O legislativo, que por sinal aprova ou desaprova as alterações no PME e tem vários vereadores que dizem ter na sua pauta a educação como prioridade, fez-se “presente”.

Alguns deram uma passada rápida do tipo “só para marcar presença” e nada mais. Bem, alguém pode alegar agenda cheia, mas educação é prioridade ou será mero discurso? Ah, tem os que vão dizer “não fui convidado! ” Bem, vamos esclarecer: para participar de uma Consulta Pública não precisa de convite uma vez que o termo público indica que é de todos e para todos. A educação se pensou sozinha. Portanto, não adianta falar mal dos políticos corruptos ou deixar de torcer pela seleção brasileira porque as coisas vão mal no País. O que de fato faz a diferença, e fará com que a nação se transforme, é a ação de cada um em prol do bem comum.

Como diria um bom professor, o bom aluno começa fazendo a tarefa de casa, e a tarefa de casa de cada brasileiro é dar a melhor formação para as novas gerações, iniciando com ações simples como envolver-se e participar da escola em que o seu filho está matriculado.

O próximo passo para cidadãos comuns, lideranças sociais e agentes políticos alavancarem a mudança no nosso Brasil é deixar de lado os discursos e arregaçar as mangas para executar tarefas simples mas que fazem toda a diferença no futuro como, por exemplo, passar um dia com o bumbum na cadeira trocando idéias, discutindo a situação da educação do município e encontrando soluções que não são grandiosas e nem espetaculares, mas que com certeza trarão um novo jeito de viver e conviver com mais desenvolvimento e qualidade para todos os munícipes.

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