Capa e Editorial da Edição nº: 848

Quem é o povo??

Fora a frase somos todos caminhoneiros, a mais ouvida e escrita nas redes sociais durante a paralisação dos caminhoneiros, foi: “O povo precisa aderir apoiar, ajudar”. Mas quem é o povo? Quem é esse que deveria ir às ruas, deveria ter ajudado os caminhoneiros e se omitiu? O dicionário diz que povo é um conjunto de indivíduos, e para formar um conjunto é preciso que os elementos sejam agrupados.

Assim, fazendo uma conta rápida, se cada individuo que falou a frase acima citada ou a escreveu nas redes sociais tivesse ido às ruas, realizado movimentos e protestos, ações que engrossassem a paralisação dos caminhoneiros e levassem para as ruas as demais insatisfações dos brasileiros, de fato e concretamente o povo, mais que apoiado teria deixado claro seu posicionamento, seu querer e insatisfação. Mas, enquanto o povo for o outro e ficar esperando que o outro faça, as coisas vão ser assim, fazem barulho, dificultam um pouco a vidas dos mandatários, mas não leva a mudanças.

Porque as pessoas falam, citam, e às vezes até xingam o “povo brasileiro” como se o povo fosse um elemento à parte, quando na realidade o povo é cada individuo. Na paralisação dos caminhoneiros ficou evidenciado como nós, brasileiros, queremos muito que os outros façam alguma coisa, que os outros dêem a cara para bater. As pessoas literalmente deram apoio com palavras, manifestações nas redes sociais, levaram comida e produtos de higiene, ou seja, não se envolveram.

E um apoio isolado, a cada dia ou a cada momento um grupo fez uma ação, de repente parecia que cada um queria mostrar que apoiava mais os caminhoneiros que os outros.  Resolveram apoiar e não atrapalhar, pois pacificamente aceitaram ficar sem combustível, claro, depois de uma corrida aos postos de combustível, quando se deram conta que a paralisação duraria alguns dias. Assim, encher o tanque, e ficar dando opinião e postando mensagens de apoio nas redes sociais, não é assumir a paralisação, é só dar apoio. É preciso que as pessoas compreendam que as mudanças só ocorrem quando todos abraçam a causa, quando todos saem de casa e vão pra rua não para manifestar apoio, mas para juntos lutar por uma nação, ou seja todos lutando por todos. Não se despreza a importância e alcance das redes sociais, mas, se de fato as pessoas que disseram apoiar os caminhoneiros querem mudança, é preciso mais, muito mais do que mudar o status do perfil do facebook para mudança acontecer.

É preciso inclusive assumir que político corrupto não é um extraterrestre, ele é fruto de uma cultura que apóia o famoso “jeitinho brasileiro”. É preciso sair detrás dos notebooks e celulares e realizar atos de informação, formação e esclarecimentos sobre por exemplo, o que é intervenção militar. Pois quando gira nas redes sociais um vídeo que defende a intervenção social e tem como tema musical o hino da Independência do país, mostra que muitas pessoas defendem o que não sabem o que é. Esse é só um exemplo, porque as incoerências foram múltiplas.

É preciso lembrar aos indivíduos que clamam pela intervenção militar duas coisas: primeiro, se ela ocorrer cessa o direito das pessoas de se manifestarem, uma paralisação como essa nem aconteceria, o que dirá ficar por 10 dias. Segundo, não é o militar ou os políticos ou um salvador da pátria que vai mudar, transformar esse país, mas a ação, o comportamento e as atitudes de cada um numa organização constante de transformação. Até porque mudança vem com atitudes e não com palavras e comentários superficiais no facebook.

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