Capa e Editorial da Edição nº: 827

                                                            A barbárie não é um erro, é uma tragédia!

Na sexta feira, primeiro de dezembro, 14 famílias na localidade de Alecrim acordaram, foram fazer seus afazeres, tirar leite, plantar, colher, cuidar da horta, fabricar o pão e a bolacha para atender a demanda da merenda escolar e de repente, sem nenhum aviso prévio, em menos de uma hora viveram momentos de horror, crueldade, barbaridade, assistindo sem poder fazer absolutamente nada, a destruição de suas vidas, já que na reintegração de posse no Alecrim, definida pela justiça, veio também a destruição de casas, leiterias, dos meios de produção dessas famílias.

Mais que bens materiais, foram destruídos sonhos, historias de vida, futuros, meios de subsistência das pessoas. Por uma decisão judicial, crianças deixaram de ter garantido escola e faculdade. A justiça foi legalista, seguiu o rigor da lei e se esqueceu da justiça. E de repente, o município passou a ter mais de cem pessoas sem teto, sem como ter de onde tirar seu sustento, e o mais chocante, pessoas que trabalhavam, que tiravam da terra o seu pão de cada dia, que estavam lá há trinta anos, que viram seus filhos nascerem crescerem lá, que pagaram faculdades deles com a sua produção, pessoas que com seu suor fazem a roda da economia do município girar, tristeza e indignação foi o que restou.

Na segunda-feira, Pinhão, ainda chocado com a crueldade do sistema judiciário e do governo do estado, sofre por mais de dez horas o pânico, o desespero de ter uma funcionária pública na mão de um criminoso, horas, muitas horas de horror. Novamente muita tristeza, porque se um jovem chega a esse nível de crime é porque o Estado falhou com ele em todos os níveis. Mas no meio do caos e tristeza, surge a beleza da fraternidade, da funcionária que abre mão da sua segurança para trocar de lugar com a colega no sequestro. A barbárie vivida pelos agricultores do Alecrim uniu a cidade em uma causa maior, o bem social de todos.

O Estado diz que a reintegração foi um erro, não foi um erro foi uma tragédia, que os pinhãoenses do campo e da cidade nunca mais pode permitir que aconteça, e para isso, é preciso unir forças hoje e manter o trabalho em busca do bem comum eternamente.

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