Capa e Editorial da Edição nº: 812

Perderam!

Obrigada, é o que podemos dizer a todos que nos ajudaram a organizar a Mesa de Discussão: Maria da Penha, a mulher, encaminhamentos, e aos palestrantes, que gentilmente se prontificaram a trazer seus conhecimentos e experiência sobre o tema, falaram de forma muito direta e clara, esclareceram dúvidas e mostraram que a violência contra a mulher está ai, existe, é muito maior do que se imagina e gera vários outros problemas sociais, pois onde há violência doméstica, há lar desestruturado, e onde há lar desestruturado, as possibilidades de termos jovens violentos e dispostos a transgredir a lei aumentam de forma significativa. Quem foi, com certeza não se arrependeu, saiu com muito mais conhecimento do  que chegou, conhecimento sobre a Lei Maria da Penha, sobre a violência doméstica, sobre quem é esse agressor e que ele também precisa de ajuda. Conhecimentos para a vida. Com certeza, quem foi vai olhar para o problema da violência doméstica com outros olhos. Perderam os que não foram. Perderam a oportunidade de ouvir quatro profissionais que atuam na área e que esclareceram, tiraram dúvidas e deram argumentos para pensar e refletir sobre o tema e os preconceitos que se tem em cima dele. Com a proposta de discussão do tema, ficou muito visível o quanto ele ainda é invisível na sociedade, se é porque as pessoas ainda acreditam que em briga de marido e mulher não se mete a colher, se ainda prevalece o pensamento machista de que se a mulher apanhou, mereceu, ou se as pessoas tem o pensamento  pequeno e consideram que conhecer, saber, se informar não é importante e pode trazer transtornos, não se sabe, muito  provavelmente todos esses motivos  e mais a acomodação levam as pessoas a escolher não participar, não buscar informação, até porque, por incrível que possa parecer, as pessoas acreditam que ter informações, conhecimentos, automaticamente levará 30ao envolvimento, e aí fazem a opção pela ignorância. No momento em que discutíamos sobre a violência doméstica, um comércio local, infelizmente, foi invadido e assaltado. Em minutos, as redes sociais estavam cheias das noticias do acontecimento e de posicionamentos “indignados”, mostrando que as pessoas são  muito do  falar e muito  pouco do fazer, do  querer de fato conhecer a realidade ou mesmo refletir de forma mais séria sobre ela, pois muitos dos que fizeram comentários “indignados” sobre a situação, tiveram a oportunidade de estar refletindo, discutindo sobre a violência e preferiram a acomodação dos lares e das redes sociais. Ignorar a violência doméstica, considerar tema de segundo escalão pelo jeito faz parte do pensamento das lideranças políticas, já que dos trezes vereadores, apenas as duas vereadoras mulheres compareceram. Fica a pergunta: será que por motivo de agenda ou por acharem que isso é problema só de mulher? Um ponto a se pensar: o que será que os onze vereadores homens tinham nas suas agendas que não puderam ir nem mandar seus assessores? Essa reflexão fica para as mulheres pensarem sobre a importância das mulheres se envolverem de forma direta na política, porque, com certeza, essa sim é coisa de mulher. Nós, do Fatos do Iguaçu e nossos parceiros, fechamos a noite com uma avaliação positiva, pois o que nos propusemos, fizemos, e fizemos com qualidade e com a certeza que ainda há muito o que fazer para que as pessoas compreendam que a violência contra a mulher é uma violência contra a sociedade.

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