Campanha da vacinação contra a aftosa termina dia 30

A vacinação é obrigatória, uma segurança e garantia de bons negócios.

Iniciou-se no Paraná dia 1º de novembro e terminará dia 30 a campanha de vacinação contra a Febre Aftosa.  A doença é causada por vírus, sendo uma das mais contagiosas e que atingem os bovinos, búfalos, ovinos, caprinos e suínos. Causa febre, seguida do aparecimento de vesículas (aftas) principalmente na boca e nos cascos, dificultando a movimentação e alimentação dos animais.

A doença é transmitida pela movimentação de animais, pessoas, veículos e outros objetos contaminados pelo vírus. Pessoas que lidaram com animais doentes podem transmitir o vírus por meio de suas mãos, roupas e calçados.

Os primeiros casos de Aftosa no Brasil surgiram em 1895. Em 1950 foi criado o Ministério da Agricultura e realizada a I Conferência Nacional de Febre Aftosa.  Nas décadas de 60 e 70 o número de animais atingidos pelo vírus superou a casa das 100 mil cabeças, resultando em grandes prejuízos econômicos. A fim de tornar o Brasil uma referência na qualidade da carne tanto para o mercado interno como para o externo, algumas medidas ao longo do tempo para erradicar o vírus foram tomadas pelo governo federal e pelos estados, entre elas a Campanha de Vacinação da Febre Aftosa.

Atualmente, no Brasil, somente Santa Catarina é considerado livre de Febre Aftosa, todos os demais estados  são considerados livres de Febre Aftosa com vacinação.

Esta diferenciação acaba influenciando diretamente no preço do produto, esta semana o valor médio do boi gordo no Paraná foi de R$ 152 a arroba, no Rio Grande do Sul R$ 4,75 o quilo e em Santa Catarina R$ 162 a arroba. Esta diferença é resultado do gado necessitar ou não de receber a vacina.

PINHÃO E RESERVA DO IGUAÇU

A unidade da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) em Pinhão e que atende Reserva do Iguaçu já esta recebendo a documentação que comprova a vacinação do gado. O auxiliar de fiscalização, Antônio Edival Lopes informou que para esta campanha deverão ser vacinadas 58 mil cabeças de gado em Pinhão e 26 mil em Reserva do Iguaçu. “Temos o certificado de Estado Livre da Febre Aftosa com Vacinação, que garante bons negócios, quando obtivermos o certificado de Estado Livre da Aftosa e sem Vacinação com certeza teremos negócios mais rentáveis. No mercado externo alguns países não comercializam com o Paraná porque o rebanho necessita da vacina”, relatou.

Os pecuaristas são obrigados a apresentar no escritório regional  ou em suas unidades de atendimento da Adapar a comprovação da vacinação, também pode ser realizada pelo site www.adapar.pr.gov.br. Ao adquirir a vacina, o produtor retira a nota fiscal e recebe um formulário que deve preencher informando o número de animais vacinados e os demais animais que possuem na propriedade como aves, estes dados servirão de fonte para uma contabilização de todo o rebanho existente no Estado, o que poderá gerar novos programas e recursos financeiros para o setor rural. E entrega a nota fiscal e apresenta o formulário que será carimbado e devolvido ao proprietário para a comprovação da vacinação. “Nesta campanha todo o rebanho da propriedade deverá ser vacinado. O animal que não for vacinado não poderá ser emitido para ele a Guia de Transporte de Animais, (GTA) além de que a propriedade será multada no valor mínimo de R$ 944,70 por até 10 cabeças, aumentando gradativamente o valor de R$ 94,47 por cabeça. Se deixar de vacinar pela primeira vez, recebe um termo de orientação e se for reincidente, o termo  de Auto de Infração”, informou Antonio.

DEVER CUMPRIDO

Produtor rural Clécio Giaretta de Reserva do Iguaçu e o auxiliar de fiscalização da Adapar Antônio Edival Lopes (Foto: Gisele de Pádua/Fatos do Iguaçu)
Produtor rural Clécio Giaretta de Reserva do Iguaçu e o auxiliar de fiscalização da Adapar Antônio Edival Lopes (Foto: Gisele de Pádua/Fatos do Iguaçu)

Na primeira semana de novembro, a Adapar registrou o percentual de propriedades que já vacinaram o gado, atingiu 10% do rebanho nos dois municípios. O produtor rural Clécio Giaretta, morador da localidade de Santa Luzia, em Reserva do Iguaçu já fez a lição de casa. “Tenho 15 cabeças e não deixo de vacinar o gado. Estou há 32 anos no Paraná e quando morava em Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul, uma vez em nossa propriedade os animais foram contaminados. Naquela época não havia as campanhas, recorríamos a uma solução caseira. Fazíamos uma mistura de água,         barro, cal e creolina e colocávamos o animal amarrado nesta  mistura para que o remédio penetrasse nos cascos. Hoje em dia temos a vacina, que é aplicada de forma rápida não deixando o gado à mercê da doença. Aftosa não mata, o que mata é a baixa imunidade, pois o gado não come e fica debilitado, ela judia muito do bichinho. Gastei menos de R$ 100 reais em vacinas, caro é a multa. Eu já fiz o meu dever”, frisou.

Produtor Antônio Ferreira Ramos sendo atendido por   João Maria Rocha (Foto: Gisele de Pádua/Fatos do Iguaçu)
Produtor Antônio Ferreira Ramos sendo atendido por João Maria Rocha (Foto: Gisele de Pádua/Fatos do Iguaçu)

Outro criador que também já vacinou seu gado foi Antônio Ferreira Ramos, da localidade de Bom Retiro, em Pinhão. “Tenho 90 cabeças de gado, e a vacina é obrigatória e uma segurança para nós, criadores. Em 1966 meu pai teve os animais atingidos pela doença, é horrível, eles ficam fragilizados com uma imunidade muito baixa. A vacina só traz benefícios. Meu rebanho já está imune”.

O corpo técnico da Adapar tem como meta de fiscalização efetuar a vacinação de três formas: a assistida, fiscalizada e a oficial. “Na assistida vamos assistir o produtor vacinar todo o gado e apenas observamos. Na fiscalizada, digamos que o criador tenha 60 cabeças acompanhamos a vacinação de 10 para verificar se os procedimentos estão sendo feitos da maneira correta e a contagem destes animais e na oficial, quando vamos vacinar todo o rebanho. Cerca de 90% dos nossos criadores estão conscientes da importância. Queremos que o Paraná chegue a 100% do gado vacinado e com o tempo atingir o certificado de Estado livre de Aftosa sem vacinação, o que acarretará grandes vantagens para todos os envolvidos nesta cadeia. Estamos à disposição dos criadores para sanar qualquer dúvida”, finalizou o agente de fiscalização.

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