Aterro sanitário está autorizado a funcionar

Em 2012, Reserva do Iguaçu tinha um aterro autorizado e funcionando, em 4 anos, virou lixão a céu aberto

O Brasil ainda despeja 30 milhões de toneladas de lixo por ano de forma inadequada, expondo os cidadãos ao risco de doenças. De acordo com o levantamento feito pela Abrelpe, (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública), o Brasil temquase 3 mil lixões ou aterros irregulares que impactam a qualidade de vida de 77 milhões de brasileiros.

O avanço na geração de materiais descartáveis levou o governo federal a propor uma lei específica para lidar com a situação: a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em agosto de 2010, que estabeleceu o fim dos lixões a céu e a utilização dos aterros sanitários como destino final dos resíduos. O prazo para que os municípios brasileiros erradicassem os lixões expirou em agosto de 2014, mas 60% das prefeituras não conseguiram cumprir a determinação. Diante dessa situação, o governo postergou a implantação da lei e pretende estender até 2021 o prazo para a erradicação dos lixões.

O aterro estava transformado em um lixão a céu aberto e podia ter contaminado o lençol freático

RESERVA DO IGUAÇU

Reserva do Iguaçu, em 2012, fez parte da estatística dos 40% dos municípios que implantaram o aterro sanitário, como nos conta a secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico do município, Suzana Andria, “Quando encerramos a administração em 2012, nós deixamos o aterro construído, e com licença de funcionamento até 2014”. Ela explicou que as licenças são concedidas para o funcionamento por dois anos e cento e vinte dias antes do vencimento o município deve solicitar a renovação.

Como a administração do ex-prefeito Emerson Julio Ribeiro não solicitou nova renovação e ainda transformou o aterro em um lixão a céu aberto, o IAP queria que o município fizesse um novo aterro. “Desde janeiro de 2017 começamos a ver o que faríamos com o aterro e a conversa como o IAP, que queriao aterro  feito em um novo terreno. Até porque o aterro estava transformado em um lixão a céu aberto e podia ter contaminado o lençol freático”.

A situação era tão grave, que eles passaram quatro meses estudando o que fariam. “Bem, decidimos por contratar uma assessoria, pois precisávamos recuperar a área, fizemos um projeto para apresentar ao IAP do que íamos fazer com as mais de 300 toneladas de lixo que estavam lá”, contou Suzana.

O prejuízo para o município foi muito grande, em verbas e aproveitamento das valas do aterro, das sete planejadas, já estão usando a terceira. “Eles não utilizaram a primeira vala corretamente, a perdemos, só jogaram o lixo a céu aberto e não fizeram o manejo certo, com isso, a segunda foi contaminada, e também perdemos, já estamos utilizando a terceira vala”.

O QUE FOI FEITO

Como ainda dava para aproveitar um canto da primeira vala, eles alocaram a montanha de lixo que estava a céu aberto lá, isolaram-na, fizeram a cobertura e plantaram grama. Em seguida,isolaram a segunda, devido à contaminação e partiram para o preparo da terceira vala para essa receber o lixo “Para organizar essa vala, se fossemos preparar ela toda, iria custar R$ 200.000,00, decidimos fazer só a metade, pois os recursos eram poucos”, expôs Suzana.

O município tem um convenio com a Copel, que repassa recursos para comprar material para a manutenção do aterro como geomembrana, grama e outros mais, mas, devido ao aterro estar sem licença do IAP, a Copel não poderia repassar o recurso.  “Graças a Deus conseguimos a licença e manter o convenio”, contou Suzana.

Na terceira vala foi colocada a geomembrana, impermeabilizando-a, a chaminé e a drenagem do chorume. “Não está tudo pronto, temos que fazer a cerca que foi destruída, realocar o lixo que encontramos, pois fizemos uma vala provisória para alocá-lo, terminar de plantar grama e plantar árvores, reformar a casa, o painel da balança, que também foi destruído, mas já conseguimos operar, isso que é importante”. falou Suzana, com visível contentamento.

O município tem dito despesas com o aterro que não precisaria se ele tivesse sido preservado e usado de forma correta. “Tivemos que fazer a análise da água para ver se não havia contaminado o lençol freático, por sinal, foi um alto custo. Temos dois serviços – terminar a vala nova, alocar o lixo de forma correta e monitorar a vala 1 pelo mau uso, fazendo análise de água, de solo e o monitoramento terá que ser feito por mais de 20 anos“, contou tristemente a secretária.

Como o IAP exigiu, foi feito Plano de Gerenciamento de Resíduo Municipal,e foi aprovado em audiência pública.

VANDALISMO

Suzana contou que além de tudo que tiveram que refazer, enfrentaram o vandalismo. As manilhas, sarjetas, material para a chaminé e drenagem do chorume, bueiros e outros materiais comprados para reorganizar o aterro, em um final de semana foram destruídos, totalmente demolidos por vândalos. “A parte pluvial ainda estamos fazendo, pois devido ao vandalismo o trabalho atrasou e tivemos um prejuízo de mais de R$ 5 mil em material destruído”.  Para colocar o aterro em funcionamento,o município já investiu mais $100 mil.

SEPARAÇÃO DO LIXO

A secretária ressaltou que a separação do lixo nas residências é fundamental, pois, o reciclável será reaproveitado, a vida útil do aterro aumenta. “Se as famílias separarem o lixo direitinho, cada vala vai durar em média cinco ou mais anos”. A separação que o município pede é o úmido do seco, ou seja, tudo que é reciclado num tipo de saco e o lixo de cozinha e rejeito em outro.

A reciclagem do lixo é feita pela Associação de Catadores. “No dia 15 de dezembro do ano passado, viram seu barracão incendiar, a estrutura será derrubada porque foi condenada e eles perderam além da carga de reciclado vários equipamentos, o município esta providenciando a nova aquisição, mas eles continuam fazendo a coleta do reciclado”, disse Suzana.

AGRADECIMENTOS

Suzana fez questão de ressaltar que só foi possível colocar o aterro de volta para funcionar graças à ajuda e esforço da equipe de topografia e das demais secretarias, que os auxiliaram.

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LIXÕES

Nos lixões, os resíduos são depositados em um local a céu aberto, sem nenhum controle ambiental ou tratamento. Além de produzir o gás natural metano (CH4), um dos agravadores do efeito estufa, a decomposição da matéria orgânica gera o caldo chorume, altamente poluente. Como o terreno dos lixões não é impermeabilizado, o chorume se infiltra no solo e contamina o lençol freático, com efeitos nocivos sobre a água, a flora e a fauna e comprometimento da saúde pública.

ATERROS SANITÁRIOS

A PNRS determinou que os municípios substituíssem os lixões por aterros sanitários, considerado o destino mais adequado para o lixo urbano. Trata-se de áreas nas quais os resíduos são compactados e cobertos por terra. Terrenos assim têm sistema de drenagem que captam líquidos e gases resultantes da decomposição dos resíduos orgânicos. Desta forma, o solo e o lençol freático ficam protegidos da contaminação do chorume, e o metano é coletado para armazenagem e queima.

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